top of page

As etapas de um estilo

Atualizado: 12 de set. de 2020

O ser humano é uma criatura extremamente complexa, caixas pré-determinadas não conseguem abranger a diversidade que existe entre as pessoas. Os estilos universais não conseguem abranger todas as inúmeras composições diferentes de referências, cultura e personalidade. Mas o mínimo de orientação é necessária para seguirmos com o nosso dia a dia, e é assim que os estilos universais se tornam úteis - não como modelos engessados de expressão, mas como base para, a partir deles, você enxergar a sua forma, a sua composição.



Então, já que o estilo pessoal vai além do pré-determinado clássico / minimalista / moderno / etc, como fazer pra chegar nele? Estilo é intenção, repetição e coerência, certo? Então eu diria que a primeira etapa é determinar a sua intenção principal. Quando eu falo etapa, estou pensando na divisão do processo em blocos para melhor racionalização, mas na verdade mesmo essas etapas não são lineares, não acontecem uma depois da outra, e sim existem ao mesmo tempo - ao invés de uma linha, um blob, que nem a noção de tempo da série Dark.


A intenção é aquele "quero ficar mais..." ou "quero mostrar que sou..." que pensamos logo que cogitamos trabalhar nosso estilo. É a primeira coisa que as pessoas falam. Essa intenção é o que guia todo o processo, mas ela precisa ser muito bem lapidada, muito bem definida. Nada de achismo ou de mais ou menos aqui. A clareza é bem importante. E da mesma forma que ela "começa" o processo, ela também o "termina".


*Importante lembrar nesse momento que o estilo é sempre mutável, orgânico, nada engessado. A gente identifica a intenção, aprende o processo, mas conforme vamos mudando, nossa intenção e nossos gostos podem mudar e o estilo vai junto. E tudo bem!*


Ok, em seguida é importante pensar na sua personalidade. Sabe aquele papo de que não é legal sair fantasiada de outra pessoa que surge em consultoria de estilo? É nesse momento que essa frase entra. Mas a gente tem que lembrar que a primeira etapa continua existindo aqui, então precisamos sair um pouquinho da nossa zona de conforto, precisamos trabalhar de acordo com aquilo que queremos transmitir. A ideia da frase é pensando na situação "pessoa super clássica quer se mostrar mais moderna então vai passar a comprar apenas peças mega conceituais" - isso não rola. Mas a frase não significa "a pessoa pode vestir o que quiser quando quiser" justamente porque isso quebra completamente com a questão da intenção.


Atrelada à personalidade vem a questão dos gostos pessoais. Aquilo que falei no outro post de achar lindo e porque. O que está por trás do achar lindo? Esse algo que você achou lindo combina com sua personalidade? E combina com a mensagem que você quer transmitir? Esses são pontos que precisam ser analisados e ser levados em consideração. Não vale comprar algo que achou feio, mas também foge completamente da proposta comprar algo que achou lindo mas não se enquadra em nenhuma das situações já comentadas.


Com essas 3 partes bem definidas, aí sim nós entramos no (quase) infinito mundo dos elementos de composição. É nesse momento que vamos pensar no corte da peça, no formato dela, material, cores (e toda a variação de tons e temperaturas), texturas diferentes, contrastes, estampas e mais outros pontos. No momento que você tem a sua intenção bem determinada, reconhece sua personalidade e aquilo que você realmente gosta e vê que faz sentido contigo, você passa a ter o conhecimento necessário para manusear todas essas ferramentas e utilizá-las para o que você quer, como você quer e quando você quer.


A definição de um estilo é um processo que une variáveis e chega a um denominador comum. As ferramentas (os elementos de composição) transformam todo esse raciocínio abstrato e longe em algo visível, palpável e perto da gente. Esse é o segredo não só para você encontrar seu estilo agora como também modificá-lo conforme você for mudando.



bottom of page